Parte 03 - Erros Técnicos na elaboração do cronograma




Sejam bem vindos à discussão sobre “Por que os cronogramas Atrasam”. Caso não tenha lido os três primeiros artigos, no final desta postagem tem o link para eles.


Retratando um pouco sobre a estrutura dos artigos, irei abordar 06 artigos sobre erros técnicos na elaboração do cronograma, para depois passar ao próximo tema do nosso mapa mental (exibido no primeiro artigo).


Neste artigo irei abordar sobre três assuntos: “Uso de lags muito grandes, “Uso de restrições” e “Uso de lags negativos”.


Vamos lá?


Uso de lags muito grandes : A tradução para lag é retardo ou atraso. Quando utilizamos um lag entre atividades, queremos mostrar que uma atividade sucessora irá “esperar” alguns dias para seu início (TI+3) ou término (TT+3). Até ai, nenhum problema. Porém, quando este lag apresenta uma duração de 7 dias, 20 dias, agora sim, podemos dizer, que não é uma boa prática de elaboração de cronograma.


Uma duração de lag extensa na verdade está escondendo uma atividade ou uma improdutividade da equipe de projeto. Veja a figura abaixo:


Observe que na primeira relação foi utilizado um lag entre as atividades A e B. Porém, este lag poderia ser uma atividade C, que não recebeu recurso, não se identificou riscos para esta, não se estimou custos, ou seja, não se pensou nela. Caso esta atividade C atrase, o que o planejador irá dizer para ao cliente ??? Senhor, forças ocultas e sobrenaturais fizeram a atividade B postergar seu início?? Óbvio que não.


Vamos a um exemplo clássico que observo muito em cronogramas: Chamemos a “atividade A” de fabricação e “atividade B” de montagem do equipamento. Coloca-se um lag de (ex.30 dias) entre a fabricação e montagem e diz-se que o cronograma está ótimo. Alguns ainda tem a cara de pau de falar: - Eu planejo em ondas sucessivas !!! Mas na verdade, nunca será detalhado.


Querido planejador, observe quantas atividades entre fabricação e montagem existem, e você está ignorando : expedição, “transporte 01”, desembaraço alfandegário (importados), “transporte 02” e entrega. Todas estas atividades escondidas em um grande lag de 30 dias. Quantos riscos poderiam ser identificados e prevenidos se estas atividades tivessem sido detalhadas.


Portanto, lag tem que ser o menor possível, no máximo dez (10) por cento da duração da menor atividade do relacionamento em questão.


Uso de restrições: Atividade do tipo restrição é toda atividade que tem sua data fixada no cronograma. Sua utilização tem que ser muito bem explicada e defendida, pois seus efeitos colaterais são grandes.


A atividade do tipo restrição é comparada a uma estaca, que crava a sua data de acontecimento, tirando o dinamismo do cronograma. As atividades tem que ter sua data de início e término determinadas por causa das relações de dependências e não por causa de uma data imposta.


Por este motivo, defendo a sua utilização igual a antibiótico, somente em último caso, pois seus efeitos colaterais são grandes.


Uso de lags negativos (leads): Os leads são objeto de muita discussão. Uns defendem a sua utilização e outros não. Porém, do lado dos que negam a sua utilização, poucos sabem o verdadeiro motivo da objeção. Esta explicação tem a ver com análise de risco, mais precisamente, análise de Monte Carlos.


Sabemos que a duração das atividades tem uma característica estatística, e não determinística. E é na análise de Monte Carlos onde se “brinca” com esta característica das atividades. Inúmeros cenários são gerados nesta análise, e durante esta análise, pode haver um cenário onde a “atividade B” tenha sofrido uma diminuição da sua duração. Isso faria com que a “atividade B” terminasse antes de sua predecessora A, tornando o cenário ilógico.

Por este motivo que os softwares de gestão de risco, como o primavera Risk, abomina a utilização do lead. Em outras palavras, o cenário 02, apesar de possível matematicamente, é ilógico no mundo real.


Portanto, para evitarmos este tipo de questionamento, por que não trocarmos as ligações por outras, que resultarão na mesma lógica. Veja a figura abaixo :

A figura acima mostra a “atividade A” sendo dividida em “atividade A1” e seu acabamento “atividade A2”. Desta forma eliminamos os leads.


Finalmente, por hoje ficamos por aqui. Não deixe de ver os artigos anteriores caso você não tenha visto, no próprio linkedin, Fanpage ou no meu blog.


Aguardo seus comentários e até segunda, dia 15-08, com a quarta parte deste tema.


Obrigado.


Artigo 01 : É o cronograma, estúpido.

Artigo 02 : Erros Técnicos na elaboração do cronograma – parte 01

Artigo 03 : Erros Técnicos na elaboração do cronograma – parte 02


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