Gameficação em Gestão de Projetos


O que é Gamificação



O termo gamificação compreende a aplicação de elementos de jogos em atividades não jogos, criando espaços de aprendizagem mediados pelo entretenimento, desafio e prazer. Este termo apesar de ser novo, sua aplicação tem sido utilizada há vários anos na educação. Por exemplo, na época da alfabetização a professora aplicava ditados que iam ficando cada vez mais difíceis à medida que o teste avançava (níveis) e os que acertavam ganhavam estrelas (recompensa). Outros exemplos que podemos citar eram as empresas que utilizavam as lógicas de recompensas e da pontuação para treinamento de seus funcionários, programas de televisão onde o destino do final era decidido pela votação do espectador.


A gamificação tem como princípio despertar emoções positivas e explorar aptidões, ligadas a recompensas virtuais ou físicas ao se executar determinada tarefa. Com consequência, sua aplicação se torna perfeita em situações e circunstâncias que exijam a criação ou a adaptação da experiência do usuário a um produto, serviço ou processo.


Por que Jogar



O ato de jogar, além de proporcionar prazer, é um meio de o sujeito desenvolver habilidades cognitivas (planejamento, atenção e memória) sociais (comunicação, resolução de conflitos, assertividade e resiliência) e motoras.


As pessoas são motivadas a jogar por quatro motivos específicos: para aliviarem o stress, para obterem o domínio de determinado assunto, como forma de entretenimento e como meio de socialização.


Por que Gamificar



Conforme dito anteriormente, a gamificação parte do conceito de estímulo ao pensamento sistematicamente como em um jogo, com o intuito de se resolver problemas, melhorar processos, produtos, objetos e ambientes com foco na motivação e no engajamento de um público determinado.


Desta forma, a gamificação permite em um ambiente empresarial um feedback constante para os colaboradores, possibilitando fugir das temidas avaliações de desempenho, melhora a retenção e criação do conhecimento, aumenta a realização individual e coletiva, criando uma comunidade que reconhece abertamente o domínio do conhecimento do grupo, cria níveis significativos de engajamento e ainda reforça a aprendizagem e o desenvolvimento.


Neste aspecto, a gamificação pode ser aplicada a atividades em que é preciso estimular o comportamento do indivíduo. Corroborando esta afirmativa, Ziecherman e Cunninghan (2011) salientam que por meio dos mecanismos da gamificação é possível alinhar os interesses dos idealizadores com as motivações dos usuários, que podem ser de dois tipos: intrínsecas e extrínsecas.


As motivações intrínsecas, conforme o nome já diz, são originadas dentro do próprio sujeito. O indivíduo se envolve com as coisas por vontade própria, pois elas despertam interesse, desafio, envolvimento e prazer. Em contrapartida, as motivações extrínsecas são baseadas no mundo externo. O desejo do sujeito em obter uma recompensa externa, como, por exemplo, reconhecimento social e bens materiais.


Portanto, utilizando-se de todo este conhecimento de como funciona a motivação humana, o uso da gamificação tem como objetivo final demonstrar aos colaboradores uma visão do nível de impacto que suas ações provocam na organização, motivando assim os indivíduos a colaborarem ainda mais.


Aplicação em Gestão de projetos



Sabemos que gerenciar projeto é gerenciar inúmeros processos de forma coordenada. Dentro destas infinidades de atividades, existem aquelas que estão no “sangue”, aquelas que são mais prazerosas e outras que, apesar de serem importantes, são monótonas ou mais demoradas, e acabam nos levando à procrastinação ou a baixa dedicação na hora de elaborá-las.


Depois de ler todo este conceito que preparei anteriormente sobre gamefication, fica fácil associar a utilização desta técnica nestas atividades “monótonas”, que necessitam de nós um esforço sobrenatural para realizarmos dentro da qualidade proposta.


Vamos a um exemplo, que é a melhor forma de vivenciarmos algo: Imaginem que você é coordenador de gestão de riscos e necessita engajar toda a equipe neste processo. A equipe não tem motivação para realizar estes processos, pois além de não acreditar em gestão de riscos, acham que já possuem carga de trabalho em demasia para se dedicar a mais uma tarefa. Acho que você nunca vivenciou este caso, não? Penso que fui um pouco irônico, mas vamos continuar ...


Tendo este cenário a frente, você como responsável pela gestão de riscos no projeto, procura gameficar o processo, tornando-o mais motivador, desafiador e interessante. Mas como?


Como vimos anteriormente, o processo de gamefication busca engajar as pessoas que participam do processo alinhando os interesses intrínsecos e extrínsecos. Portanto, nesta primeira etapa é necessário identificar o que desafia sua equipe, quais as recompensas que o estimulam, quais valores o fazem se engajar mais ainda em uma atividade. Para mapear bem este processo é necessário que você possua uma boa inteligência emocional.


Sabendo o que motiva sua equipe, será necessário ter criatividade para implementar elementos de jogos nas tarefas do processo de gestão de riscos. Como exemplo, podemos citar a utilização de um programa de gestão de riscos que utilize sons de jogos, desafios entre colaboradores, sistema de recompensas para quem mitiga os riscos dentro do prazo, compartilhamento de ideias, etc. Basta pensar nos games que fizeram parte da sua infância e inserir estes elementos no processo, tornando a experiência do usuário muito mais motivadora. Um simples repassar de responsabilidade por um risco para um outro integrante pode ser cheio de sons e interação, ao invés de um simples envio de e-mail simplório.


Desta forma deixei bem claro que o céu é o limite. Você pode simplesmente fazer pequenas melhorias num processo, ou até mesmo envolver a equipe de TI da sua empresa e criar um aplicativo simples e interativo que tornará a experiência do usuário com aquele processo monótono, algo totalmente diferenciado, aumentando assim a eficiência por aquele processo ou até melhorando índices de processos resultantes.


Conclusão



A gamificação é um processo que veio pra ficar. Ficou demonstrado que este processo já foi iniciado há algum tempo, porém de forma muito superficial e às vezes até inconsciente. Nos dias atuais tem se tornado uma ferramenta poderosa contra a distração, falta de motivação e retenção do conhecimento.


Mesmo sendo um setor em seu desenvolvimento inicial, já tem apresentado muito interesse na área da educação e empresarial. Muitos estudos tem surgido, o que irá contribuir para torná-la mais metodológica e assertiva.


Ficou também demonstrado que a gamificação é uma excelente forma de se desenvolver a interação social nos processos que assim exigem colaboração mútua ou até mesmo melhorar a experiência individual do usuário com o processo em si.


Portanto, gamificação é a palavra do presente, que retrata algumas práticas do passado e que nos alinha a um futuro bem próximo, onde a meu ver, tudo será gamificado.


Para saber mais sobre o assunto, não deixe de ler meu artigo publicado na revista PROJECT DESIGN MANAGMENT sobre o tema Gamefication. Acesse o link: https://www.engenheirolugao.com.br/publicacoes ou peça por e-mail o artigo pelo email: lugao@engenheirolugao.com.br.


Este é mais um artigo escrito por Thiago Lugão em parceria com Samy Farghali para o desenvolvimento do curso de Gerenciamento de Projetos e Comissionamento.

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