• Thiago Lugão

Seja um planejador completo: Orçamentação (parte 02)


Semana passada abordei a importância do engenheiro de planejamento entender de orçamentação. Não precisa ser um especialista, mas é extremamente necessário que ele entenda como foi constituída a orçamentação de sua obra e as premissas adotadas.


Sabemos que premissas são adotadas como verdades temporárias. Portanto, devem ser validadas ao longo do tempo. Quando é elaborado um orçamento, inúmeras premissas são adotadas por causa da fase que o projeto se encontra – pouca informação.


Quando o planejador assume a responsabilidade de planejar uma obra, ele precisa saber em que premissas foram baseadas a orçamentação de sua obra e validar cada uma. As composições de custo unitários são baseadas em livros, obras passadas, experiência do orçamentista, etc.


Durante a obra, é necessário que o planejador desenvolva suas próprias composições de custos, baseadas nas contratações, fornecedores e produtividade das equipes. Esse processo de obtenção dos índices reais de produção dá-se o nome de apropriação. Muitas das vezes, até a equipe padrão de uma atividade é diferente do que foi adotado em orçamento, devido às exigências contratuais de segurança. Neste momento é importante que tudo que for realizado diferente do que foi orçado, seja registrado em um documento denominado “registro de premissas”. Este documento servirá para inúmeros fins, inclusive para possíveis pleitos de reequilíbrio econômico-financeiro do contrato.


A partir de agora, irei deixar um exemplo de como deve ser feita a apropriação a partir de dados coletados do campo e comparação com a composição da proposta comercial.


Exemplo: Uma construtora apurou os dados abaixo referentes ao serviço levantamento de alvenaria de blocos. Vamos calcular a produtividade do serviço e comparar com os índices de 1,00 h/m² adotados no orçamento.

Para calcular a produtividade (m²/h) das duas categorias de operários, basta dividir a produção feita pela quantidade de horas pagas:

Comparando as produtividades realizadas com a adotada no orçamento, verificamos que tanto o pedreiro quanto o servente estão agregando mais em metros quadrados por hora do que foi orçado.


Diante destes cálculos, o planejador poderá ajustar seu histograma de pessoal ou seu cronograma, trabalhando com projeções de avanço físico e de custo mais assertivos.


Portanto, estamos vendo que com cálculos simples, podemos apresentar números que irão apoiar a liderança na tomada de decisão. Não basta saber a teoria, tem que colocá-la em prática.

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